EXPEDIÇÃO SERRA DA CANASTRA – VIII – PARTE 7

EXPEDIÇÃO SERRA DA CANASTRA – VIII – PARTE 7
ESTAGIÁRIO SÊNIOR VI

EXPEDIÇÃO SERRA DA CANASTRA – VIII – PARTE 7
ESTAGIÁRIO SÊNIOR VI

Uma outra experiência dentro das experiências vividas por um Estagiário Sênior em Minas Gerais.

Miguel é mineiro, e como tal, desconfiado até virar amigo. Os mineiros têm algo diferente nas suas personalidades, como se tivessem um aviso aceso na testa: “não abuse da minha confiança!”. Assim, para perpetuar a amizade de um mineiro, respeite, tenha cuidados e limites.

Meu amigo está fazendo tratamento em um dos olhos e dirigir é uma das tarefas que ele tem evitado. Assim, durante o período de seis dias fui o motorista oficial da Toyota SW4 de 2011, com 322.000 km percorridos em 15 anos. A SW4 puxa uma carretinha de eixo duplo com capacidade de 1.200 kg que, junto com todos os espaços do carro, Miguel enche de queijo, leite, milho, galinha, ovos, porco, cachorro, abacate, abóbora, café, ração, sal, material de construção e tudo mais que necessário seja.

Não são fáceis, dóceis ou gentis as serras e pirambeiras de poeira, lama ou cascalho, até mesmo as estradas asfaltadas de Minas Gerais, mas Miguel vai aonde necessário for. Aliás, meu amigo foi caminhoneiro e carreteiro com uma história de vida que merece livro e filme.

A SW4 cheia e com a carreta é um bitrem, um cavalo selvagem que você monta e doma, se “segura” por 400 durante 6 horas seguidas todos os dias nas estradas rurais e nas cidades.

Nas manobras, em especial a ré, nas descidas e subidas, nos milhares de quebra molas das estradas, o “bitrem” testa suas habilidades e as suas noções de física, movimento e inércia.

Quando nos propormos a desafios devemos ter absoluta noção de responsabilidade sabendo que a vida é feita de riscos, mas não de imprudência. Quem é da roça sabe disso.

 

Trabalhei. Participei até o fim das tarefas do dia ou do momento, das atividades diárias dos 365 dias de uma fazenda que, entre outras coisas, faz excelentes queijos Canastra. Mas não imaginei que as maiores lições estavam e estão na convivência humana, nos relacionamentos, na empatia, respeito, compaixão e humildade que existem nesses relacionamentos. Em uma breve convivência, trocar o olhar desconfiado e o aperto de mão protocolar da chegada por olhares de afeto e forte abraço, amigo e sincero, é indescritível.

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