O PROPÓSITO

O PROPÓSITO

O PROPÓSITO

Ivan Lopes é meu colega há mais de 30 anos. Ele me convidou para esse bate-papo e eu aceitei. Não combinamos nada além de um roteiro bem organizado que buscava respeitar o tempo.

A conversa tomou rumos inesperados, o tempo pressionou e pareceu ficar curto, mas tivemos a virtude de sermos espontâneos, honestos, transparentes, sinceros e íntegros, sem preocupações de “jogar para as platéias”, agradar ou enganar a ninguém, muito menos ofender ou agredir.

O propósito foi estimular o pensar e refletir sobre a realidade do mundo, a verdade das coisas e situações. Isso foi muito bom.

Meus melhores amigos e amigas que assistiram e comentaram, como verdadeiros amigos que são, foram sinceros e honestos:

“o conteúdo foi perfeito mas, a forma pode ser melhorada”.

Jamais pretendi e não pretendo influenciar ninguém, mas quero pensar com a liberdade e independência necessária para provocar as pessoas, que gosto e respeito, a pensarem, refletirem sobre a vida e a realidade do mundo sem tutelas e amarras, na direção de crescer e avançar.

Se me perguntarem se valeu a pena, direi que sim, mas sinto que tenho muito a aprender, especialmente com relação a objetividade e vícios de linguagem. Aprender, crescer e evoluir enquanto pessoa são e sempre serão boas razões para viver.

O PROPÓSITO 360

Rádio Sociedade da Bahia:
Data: Segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Horário: 18h

Entrevistado: Antônio Carlos Aquino de Oliveira

Apresentação: Ivan Lopes

Perfil do entrevistado: Empresário do setor de mídia e comunicação, com 32 anos de atuação no segmento de OOH – mídia exterior. Professor, Palestrante, Escritor, com publicações relacionadas a administração, política, viagens e pessoas. Ao longo de sua trajetória, também exerceu a presidência do Sindicato de Mídia Exterior do Estado da Bahia, da Associação Nacional das Empresas de Publicidade em Ônibus e da Federação Nacional das Empresas de Mídia Exterior.

ABERTURA – IVAN LOPES:

Hoje recebemos no O Propósito 360 um convidado com quem tenho uma identificação muito especial.

Antônio Carlos Aquino de Oliveira construiu sua trajetória empresarial praticamente no mesmo período em que eu também iniciava a minha caminhada no mercado de mídia exterior. Nossas empresas nasceram em épocas muito próximas, atuamos no mesmo segmento e tivemos a oportunidade de presidir, em diferentes gestões, o Sindicato de Mídia Exterior do Estado da Bahia.

Ao longo desses anos, compartilhamos muitos pensamentos sobre o nosso mercado, acompanhamos suas transformações e, principalmente, construímos uma relação baseada no respeito profissional.

Mas hoje quero conhecer também o Antônio Carlos que existe além dos outdoors, das empresas e da comunicação: o empresário, o escritor, o viajante e o ser humano.

Seja muito bem-vindo ao O Propósito 360!

A PESSOA POR TRÁS DO EMPRESÁRIO

1. Antônio, antes de falarmos do empresário, quem é Antônio Carlos Aquino de Oliveira quando tiramos os cargos, as empresas e os títulos?

Um baiano de Ilhéus, mestiço, caboclo, descendente de cacauicultores, cuja atividade compatibilizei com a vida na capital até os 35 anos. Casado, pai de duas filhas, irmão de dois irmãos, tio de oito sobrinhos, amigos dos raros amigos e respeitoso com os muitos conhecidos. Alguém apaixonado por turismo de aventura e natureza, por fotografias, por viagens e relacionamentos construtivos. Alguém curioso e ávido por aprender, conhecer, ver, tocar e sentir. Alguém apaixonado pela vida e o viver, especialmente no campo e em meio a natureza, que gosta de história e cultura, de museus e edificações históricas, de mar e montanhas, de verde, azul e dourado do por do sol ou amanhecer.

2. Você está há mais de três décadas no mercado. Voltando ao início dessa história, o que levou você para a mídia exterior?

Trabalhei alguns anos no setor de transportes, na Secretaria dos Transportes do Estado da Bahia, na Scania e nas Carrocerias Aratu. Em 1994 fui convidado pelos empresários de transportes urbanos de Salvador para explorar o segmento de publicidade em ônibus. Entrei no setor fundando a Mural Comunicação em 1994 onde estou até hoje com a Mural Mídia Exterior e Serviços Ltda. 32 anos de luta e labuta.

3. Nós começamos nossas trajetórias empresariais praticamente na mesma época. Quando você olha para aquele jovem empreendedor de 32 anos atrás, o que mais mudou no Antônio daquela época para o Antônio de hoje?

Muito aprendizado, experiências foram acumuladas e geraram as mudanças comportamentais que hoje experimento. Passei por duas grandes crises que me lavaram ao chão, à falência, ao inicio e recomeço. Primeiro quando a prefeitura de Salvador irresponsavelmente proibiu a publicidade em ônibus por um ano. Depois na Pandemia quando nossos negócios foram a zero, sem contar o impacto do absurdo da prefeitura de São Paulo ter promovido o projeto cidade limpa. Nesses anos, com tantos cair e levantar, perdi a vaidade, o orgulho, o medo, mas ganhei a simplificação da vida, o minimalismo material, a banir as expectativas nas relações humanas. Fiquei mais leve e tento cada vez mais simplificar as formas de ser e viver.

4. Quais foram os momentos mais difíceis dessa caminhada? Houve algum momento em que você pensou em desistir?

Politicamente foram os movimentos autoritários de proibir a nossa atividade ou parte dela em Salvador, São Paulo, Curitiba e outras cidades e nacionalmente, como foi o caso de proibir mídia exterior nas eleições e campanhas políticas. Um erro típico do sistema politico nacional. Como líder de classe e setor foram muitas as frustrações e decepções com os movimentos sindicais e associativos. Dediquei muito trabalho, esforço e tempo buscando unir e qualificar a minha categoria empresarial, mas os resultados ficaram aquém do que fizemos, eu e muitos companheiros. A frustração foi coletiva por parte daqueles que deram o melhor de sí. Nunca fui covarde, de desistir fácil dos desafios, mas o tempo me ensinou a selecionar as batalhas, a rever táticas e estratégias, a abandonar as ilusões e ser mais realista.

5. Família, amizades e relacionamentos muitas vezes acabam pagando parte do preço da vida empresarial. Como você conseguiu conciliar essas áreas ao longo da sua trajetória?

O tempo não volta para nos dar tempo de nos arrependermos. Desde os tempos de grêmio estudantil, de diretório acadêmico, de partidos políticos ao tempo de líder de classe empresarial que o idealismo foi prioridade em minha vida. Lutei pelo que acreditava. Tive o devaneio que poderia ajudar a salvar ou melhorar o mundo. A família foi quem pagou o mais caro preço. Minhas filhas sobreviveram a essas fases e hoje são mulheres independentes, bem formadas, amigas, um salto de qualidade na minha condição de pai. De todos os movimentos que estive na linha de frente, restaram poucos amigos, muitos conhecidos e todas as experiências e lições que os relacionamentos nos dão, os bons e os ruins.

EMPREENDEDORISO, COMUNICAÇÃO E OOH

6. Nós vimos a mídia exterior passar por uma transformação enorme: do outdoor tradicional aos painéis digitais, tecnologia, dados e novas possibilidades de interação. Na sua visão, o que mudou e o que nunca mudou no OOH?

Tecnologia é ferramenta, meio, condições. É fácil, sempre moderno e atual a evolução de máquinas, sistemas, hardware e software, mas, com gente e diferente. As mudanças foram enormes, assustadoramente rápidas nesse sentido e direção, mas, com as pessoas, com os profissionais e com os mercados – cria dos homens – foi e tem sido diferente. Estamos na transição e os brasileiros não sabem fazer transição, são adeptos da ruptura, do trauma, de abandonar o que funciona ainda ou o velho pelo novo, pelo moderno sem promover o “rito de passagem”. A moda que esvazia, atrofia, enfeia e emburrece é doentia. Vivemos em todos os canais de mídia a overdose de opções e informações, mas, a grande maioria ainda não aprendeu como e para que usar tanta tecnologia, não entendeu as regras dos novos jogos, que aliás, não existe. Se tudo que está ai não melhora a vida das pessoas, não rentabiliza, qualifica e dignifica as empresas e os profissinais, se não melhora os relacionamentos, há algo errado, está faltando alguma coisa.

7. Durante muitos anos algumas pessoas chegaram a prever que a internet e as redes sociais reduziriam a importância da mídia exterior. O OOH, porém, continua forte. Por que a rua continua sendo tão relevante para as marcas?

O mundo está cheio de falsos profetas, de comentaristas do óbvio, de críticos do vazio, de articulistas de má fé, de adivinhos. Cada meio de comunicação tem as suas características e papéis, sua oportunidade e razão de uso. Cada setor se moderniza da sua forma e meio. O nosso – ooh – está nesse contexto. Saímos do silk-screen para impressão digital, do papel para a lona e adesivo, da carroça para o ônibus, do painel estático para o de led, mas, a rua é e sempre será a rua, o lugar de circulação, de passagem, de ir e vir. Quem não entendeu isso, não entendeu nada. Quem não sabe as diferenças e as complementariedades, não sabe nada.

8. Você e eu tivemos a experiência de presidir o Sindicato de Mídia Exterior da Bahia por várias gestões. O que essa experiência de representação do setor lhe ensinou sobre liderança e sobre defender interesses coletivos?

Consolidei, em todos os movimentos que participei e entidades que dirigi, a minha índole e personalidade de democrata, de defensor dos diretos universais e do verdadeiros interesses comuns. Exercitei a democracia, o desapego a cargos e funções. Consolidei a minha ojeriza pelos autoritários, pelo autoritarismo e por ditaduras. Na Anepo, no Sepex e na Fenapex, entidades que tive a honra de presidir, aprendi que é impossível um movimento associativo avançar com pessoas ruins, negativas, sem caráter e dignidade entre os associados, a não ser que eles tenham esses defeitos de personalidade mas sejam omissos, minoritários sem espaços e poder. Uma única fruta podre põe o cesto a perder – fato. Esse aprendizado mudou muito a minha vida. Hoje não perco tempo em ambientes hostis e inférteis, locais nocivos, movimentos onde os espertos querem usar o coletivo.

9. Em um segmento extremamente competitivo, como separar concorrência empresarial de respeito e união institucional pelo fortalecimento do mercado?

Quem está disposto a sacrificar a sua vida, a sua família, os seus negócios para defender os interesses coletivos? Já fiz isso, mas fazendo isso aprendi que são poucos, muito poucos os que se dispõe ao altruísmo, a abnegação em nome do coletivo. Desconheço hoje no Brasil nomes respeitáveis do Sindicalismo, do Associativismo, do Cooperativismo, dos Movimentos Empresariais e Sociais. O Brasil não tem Estadistas. O que são as milhares entidades de classe em todos Brasil, com suas fantásticas estruturas ? Aparelhos políticos? Quintais e puxadinhos doa maiores? Cabides de emprego? Se nós, empresários e trabalhadores usássemos 20% da força politica e produtiva das nossas entidades, com ética e união, em defesa das categorias, teríamos outro país. Cabe também deixar claro o cinismo dos que dizem defender a livre concorrência mas constróis cartéis, praticam dumping, defendem reserva de mercado e privilégios oficiais. Essas contradições desmoralizam pessoas, entidades, empresas e mercados.

10. Nós compartilhamos muitos pensamentos semelhantes sobre o OOH. Para você, qual deve ser o compromisso das empresas do setor com a cidade, a paisagem urbana, a legalidade e a qualidade da comunicação?

Mantenho o mesmo entendimento que trabalho há 32 anos: precisamos de legalidade, regulamentação, estabilidade, regras claras, respeito, tecnologia aplicada, profissionalismo, respeito aos contratos e acordos. As cidades precisam de amor, respeito e cuidado. Isso significa qualidade de vida e bem estar. As cidades é onde ganhamos dinheiro, mas é também onde vivemos, onde vive quem nos serve e a quem servimos, que amamos e quem nos ama. A mídia exterior e parte da cidade, não é a cidade que é parte da mídia exterior, portanto, há limites claros no uso da paisagem urbana, da urbanidade e urbanismo.

11. Olhando para os próximos dez anos, como você imagina a mídia exterior? Inteligência artificial, dados, automação e digitalização vão transformar completamente nosso negócio ou a essência continuará sendo a mesma?

Creio que a nossa essência não muda: ruas, avenidas, paredes, topos de prédio, transportes públicos, logradouros e esquinas, estradas e rodovias, impacto, volume, tráfego, entretanto a tecnologia entra como parte, como modernização e modernidade, como avanço nos modelos e formas. Em tudo o objetivo se mantém: atingir o público alvo, comunicar, levar a mensagem a que interessa de forma clara, objetiva, eficaz.

ESCRITOR, VIAGENS, PROPÓSITO E LEGADO

12. Existe também um Antônio Carlos escritor. Como nasceu essa vontade de transformar experiências, viagens e encontros com pessoas em livros e publicações?

Desde criança criei o hábito de escrever pensamentos, descrever sentimentos, fazer cartas e bilhetes. Meu irmão mais velho – Alcir Santos – me estimulou na leitura. Para mim escrever é uma forma comum e tradicional de comunicação humana como é falar, gesticular. Veio os período escolar onde ler e escrever passaram a ser obrigatório. Quando, além de aluno me tornei professor, o hábito virou cultura. Como ano e viajo muito sozinho, me acostumei a colocar no papel o que vejo e o que sinto nas estradas e lugares por onde passo, as histórias das pessoas que conheço e as experiências que vivo.

13. Viajar nos coloca diante de outras culturas e outras maneiras de enxergar a vida. Qual viagem mais transformou você como pessoa?

Nunca acho que um fato por si só nos transforma, sempre acho que é um processo, mas fazer o Caminho Português de Santiago de Compostela, o acampamento base do Monte Aconcágua foi um dos marcos da minha trajetória de viajante. Nessas duas viagens estava em companhia de um grande amigo, Orlando Marques. Fiz a Estrada Real de Minas Gerais sozinho e com companhias, muito marcante, a Serra da Capivara com Alcir, a Chapada Diamantina inúmeras vezes, Amazonas, litoral conheço muitos. Conheço muito bem a Bahia, Minas Gerais, Sergipe, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Santa Catarina e Alagoas. Em cada canto desse uma cultura diferente, hábitos e costumes diferentes, pessoas diferentes e nesses relacionamentos muitos aprendizados. Costumo fazer amigos por onde passo.

14. Você escreve também sobre pessoas. Depois de conhecer tanta gente ao longo da vida, o que você percebeu que realmente faz uma pessoa ser especial e deixar uma marca na vida dos outros?

Respeito. Respeito às diferenças. Relacionamento para mim é o maior desafio da raça humana, a grande escola.. Aprendi, à duras penas, a vencer as minhas heranças malditas como os ranços machistas, autoritários, patrimonialistas, materialistas. Nunca fui e nunca serei santo ou anjo, mas aprendi a enfrentar os meus defeitos. Isso me ajudou muito nos meus relacionamentos, os qualificou, passei a aprender com as pessoas das mais simples aos mais preparados. Cada dia ouço mais e melhor. Finalmente aprendi a perder, a dizer não, a elogiar, a ser indiferente, a valorizar e reconhecer, a me afastar ou me aproximar sem sofrer ou criar expectativas. Trato a todos como gosto de ser tratado. Não gosto de levar vantagens sobre pessoas e muito menos ser tratado como bobo. Essa transparência, honestidade e sinceridade pessoal deixa a minha marca por onde passo, para o bem de quem gosta do meu jeito e para o desgosto de quem não gosta de gente como eu.

15. Depois de 32 anos como empresário, o conceito de sucesso mudou para você? O que significa ser bem-sucedido hoje?

Os piores tempos de minha vida era quando aceitei as provocações de ser competitivo, de disputar espaços. A vida é muito mais do que qualquer cabeça possa imaginar. Aprendi isso apanhando, perdendo, sofrendo. Quando percebi que os conceitos de sucesso do mundo contemporâneo estão associados ao vazio, ao superficial, ao supérfluo, ao ilusório, ao raso e ao aparente, refiz os meus conceitos e aperfeiçoei os meus preconceitos. Sucesso para mim são relações saudáveis com os filhos e a família, relações respeitosas e construtivas com os amigos e colaboradores, respeito dos clientes e fornecedores, dignidade pessoal no ir, vir e estar, saúde, paz de consciência, bem dormir, amor com reciprocidade, pensamentos e desejos elevados. Sucesso é tudo que nos faz bem e o bem que fazemos às pessoas, à natureza, à fauna e a flora. Sucesso é entender o verdadeiro sentido de divindade, de sabedoria.

16. Nosso programa se chama O Propósito 360 justamente porque acreditamos que a vida não pode ser observada apenas pelo lado profissional. Quando você olha para sua vida de maneira 360 graus, qual acredita ser o seu propósito?

Lindo esse desafio que você se propõe e propões às pessoas. Sempre entendi que o nosso maior desafio e conhecer a nós mesmos, nos aceitarmos como nascemos, nos desenvolvermos e evoluirmos enquanto pessoas. Nos aspectos de humanidade, civilidade e educação tenho o dever de ser melhor do que foi os meus ancestrais, de formar sucessores melhores que eu. Isso para mim é evolução e o meu propósito. Entendo que em muitos aspectos minhas filhas são melhores e mais preparadas que eu, isso é um propósito realizado. Já não tenho minha Mãe e pessoas importantíssimas em minha vida, mas a certeza que eles se orgulhariam da pessoa que me tronei é uma realização de propósito.

17. O que ainda falta realizar? Existe algum sonho pessoal, empresarial ou literário que Antônio Carlos Aquino ainda deseja concretizar?

Ter publicado três livro, participado de feiras literárias me ensinou muito. Não está nos meus planos fazer novos livros, mas o que tem no www.viagenscomaquino.com já e material suficiente para outros. Tenho o apoio de Vicente Amaral, Belmiro Neto, Marcelo Praddo e Patrícia Simplício para os textos, áudios, vídeos, cartazes e card’s que faço e publico atualmente. Sou péssimo de redes sociais e isso me dá o conforto de não ter nenhuma preocupação com like’s, seguidores, influenciar, lacrar, bloquear, cancelar. Ter sido professor por muitos anos e ter escrito livros me mostrou o universo de leitores e essa realidade explica de certa forma o Brasil, o conteúdo dos brasileiros.

O LEGADO

18. Antônio, depois de tantos anos construindo empresas, ajudando a desenvolver o mercado de mídia exterior da Bahia, escrevendo histórias e conhecendo pessoas, quando tudo isso for colocado em perspectiva, como você gostaria de ser lembrado? Qual legado gostaria de deixar?

Adoro ouvir minhas filhas pedido a minha benção, dizendo que me amam. Adoro o brilho dos olhos dos amigos nos reencontros e os abraços apertados. Adoro a recepção dos meus parentes distantes. Adoro a confiança dos meus clientes e fornecedores, o respeito e a consideração das pessoas mais humildes com quem me relaciono. Adoro chegar anônimo, mais um, sem nada e sair com tudo que de melhor as pessoas podem me dar pois elas percebem que dei o melhor de mim a elas. Hoje sei que vivo o que chamo de “prorrogação do meu terceiro tempo” e quero aproveitar para vive-lo da forma mais leve possível, mais simples sem ser simplório, mais profundo e atento. Se Deus misericordioso e bondoso tiver piedade e compaixão de mim, tenho dez anos, posso até ter dez a vinte anos à frente. Esse é o tempo que tenho para bem viver e viver bem, cuidando das pessoas e sendo por elas cuidado, respeitando e sendo respeitado, plantando arvores – muito mais do que já plantei – e cuidado dos animais e da natureza, curtindo meus amigos, as estradas e viagens, os ligares e as pessoas. Esse é o meu legado.

ENCERRAMENTO:

Antônio Carlos Aquino de Oliveira, foi um prazer recebê-lo no O Propósito 360.

Para mim, particularmente, esta entrevista tem um significado especial porque nossas trajetórias profissionais caminharam paralelamente durante mais de três décadas. Fomos concorrentes no mercado, representantes do nosso setor e, acima de tudo, pessoas que sempre acreditaram na força e na importância da mídia exterior.

Que venham ainda muitos anos de histórias, projetos, viagens e realizações.

Muito obrigado pela presença e por compartilhar conosco um pouco da sua trajetória.

O Propósito 360 – pessoas, histórias, experiências e o propósito que existe por trás de cada caminhada.

Ivan Lopes

 

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