ASSIM É ESSA RAÇA
ASSIM É ESSA RAÇA
ASSIM É ESSA RAÇA
Somos uma mesma raça.
Nos chamam humanos.
Mamíferos.
Biológicos e orgânicos machos e fêmeas.
Químicos e físicos.
Apenas e somente.
Não somos iguais.
Não somos todos iguais.
Somos diferentes.
Pouco diferentes.
Sutis diferenças.
Muito diferentes.
Absolutamente diferentes.
Nem perante todas as leis somos iguais.
Isso é muito bom.
Isso é muito ruim.
Isso é fantástico.
Isso é uma catastrófe.
Somos desarmônicos, alguns em busca de harmonia.
Somos conflitos, razão de existir de outros tantos.
Carlos Aquino
BA. 22.10.26

Eu estava voltando para casa, da Barra ao Rio Vermelho, caminhando à beira mar, sem pressa, mas com ritmo. Vento leve de praia e costado por onde também se invadiu o Brasil.
Já nas bandas do Rio Vermelho, no mesmo lugar que em 2 de fevereiro de todos os anos se celebra a Rainha do Mar, parei.
Foi uma parada não planejada, instintiva, necessária e complementar aos seis quilômetros que andei na tentativa de fazer a endorflna ajudar a organizar o juízo nesses dias de desagradáveis surpresas, tumulto e desassossego.
Parado, fiquei observando o mar e os barcos flutuando sobre ele, apoitados, mansos, organizados na direção que a maré lhes mandava. Leves ondas. O mar muda o tempo todo, por todos os tempos, cada vez mais imprevisível.
Olhando, espiando e observando vi que no horizonte tudo era escuro breu. Que um monte de madeiras, artesanalmente arrumadas, se propunha a navegar sobre as águas mais temidas do planeta: os mares.
Escuro breu, mar raso, fundo, profundo, ventos, chuvas e tempestades. Homens que ousam, enfrentam e resistem. Vivem e sobrevivem.
Parado, sozinho, em silêncio, pensei: – Essa raça é tão complexa, tão contraditória, tão desarmoniosa entre si, capaz de tudo que é sensacional e ruim, diante do breu do infinito mar, da instabilidade dos barcos sobre as ondas, tem confiança e coragem.
Confiança!
Coragem!
Que raça boa, que raça ruim, mas assim é essa raça.
Carlos Aquino



