CHEGA!
CHEGA!

CHEGA!
Basta!
Não dá mais!
Por aqui não sigo mais!
Esgotou!
Os limites foram ultrapassados!
Chegamos ao limite!
Cansei!
Deu!
Valeu!
O jovem amigo estava eloquente e entusiasmado ao me explicar as escolhas, as atitudes e o comportamento da sua geração. Lembrei-me do que pensava e aprendia na mesma idade dele.
As mudanças que o tempo promove não implicam em evolução, ao meu entender.
Seguimos conversando. Confesso que eu estava atento e evitei dar juízo de valor ou criticar. Ele descrevia a realidade que vivia, os valores que tinha e praticava. Ele não me fez sentir-me velho e ultrapassado, e sim ver o quanto da geração dele ainda existe em mim. Mas também vi que não sofri o que eles sofrem, não tive os medos que eles tiveram, e que as angústias e ansiedades de hoje são diferentes das que vivi, especialmente no campo da moda, do ter e parecer, das ambições. Foi legal o papo.
O mundo real cabe nós todos, os perdidos e os achados, os desaparecidos e os encontrados, os que são e os que se acham.
Talvez tudo esteja tão relativo como jamais esteve, mas também as consequências nunca foram tão graves.
Disse a ele, encerrando o encontro, que as minhas maiores conquistas não foram patrimoniais, mas humanas: saber construir e preservar amizades, distinguindo-as das outras relações; ter avançado dos deveres de Pai para amigo de minhas filhas; ter aprendido a dizer não sem culpa; a parar, seguir, recuar e avançar; a ter o medo como aliado não como adversário a ser enfrentado; a construir relações de confiança por sinceridade, transparência e honestidade; a exercitar a minha cidadania e liberdade com consciência e responsabilidade.
O sorriso largo, o brilho dos olhos e seu abraço de despedida me deu a perceber que ele me entendeu como eu o entendi.
Meu irmão Jehú sempre me lembra: “Deixe que cada um viva intensamente as suas fases e com isso aprenda a escolher como quer viver. Todos pagarão os preços dos caminhos que escolherem.”


