CASAMENTO

CASAMENTO

Texto escrito por Antônio Carlos Aquino de Oliveira em 27 de agosto de 2009

CASAMENTO

Meus jovens cinquentões,

O jovem Altino, estudante eterno, está morando em Campinas, fazendo pós-doutorado. Quando voltar, já passou do ponto e vai ter que se aposentar por caduquice.

Continuamos à distância os papos das mesas de bar, aliás, tá virando a melhor das tribunas.

Este papo norteou o almoço de aniversário de Paulo Blanco, que começou às 13h30 e terminou às 21h30, na Villas Churrascaria. Entramos no almoço e saímos no jantar. Foi hilário o intervalo entre 16h e 18h. Tudo vazio e duas mesas com uns bebuns — nós e dois outros cabras. Terminamos com as duas mesas juntas, seis caras de pau, dois litros de Johnnie Walker vazios, várias doses de licor e café, garrafas de Original… Vou selecionar melhor minhas amizades.

Deixei clara a minha opinião: Casamento para mim é pacto de bem estar e humanidade, generosidade e aceitação.

Resumo: ser bom e leal, alegre e responsável, honesto e verdadeiro, simples e normal, individual e coletivo. Fácil, fácil!

Casamento é busca de adaptação de culturas e valores diferentes, às vezes acontece, às vezes não. Aí se revelam as possibilidades.

Em casamento bom não cabem dependências de nenhuma natureza: Amor que vive e sobrevive na liberdade possível, no respeito mútuo.

Disputa de espaços e papéis é papo de teatro e novela, não cabe em vida saudável.

Intolerância sistemática e continuada, fim de tesão sem solução, é amizade, já foi mesmo, acabou, finou-se.

Mulher e marido não são, necessariamente, melhores amigos e amigas, são papéis diferentes. Amor tem raízes menos racionais, mais emocionais. Amizade verdadeira é um processo mais sólido, racional, construído com atos e fatos.

Quem vive sabe, quem viveu aprendeu e quem ainda não passou por isto, saiba que as experiências são rigorosamente individuais, porém, absolutamente comuns e iguais na maioria das coisas e nos seus resultados finais.

No mais, são relações…

Quem não sabe deve ficar só, não pode viver a dois.

Viu? Tá sabendo??? Se ligue, pois papo cabeça homem também bate.

Opinião e… cada um tem o seu.

Bom dia. Vou ao Fórum de propaganda e volto amanhã.

Carlos Aquino

SERMÃO DE CASAMENTO ( MÁRIO QUINTANA)

“Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento na igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre:

“Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?”
Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:

– Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?

– Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?

– Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?

– Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?

– Promete se deixar conhecer?

– Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?

– Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?

– Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?

– Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?

– Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?

Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros.”

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