VELHO BARCO – VIDA VELHA: NÁUFRAGOS
VELHO BARCO – VIDA VELHA: NÁUFRAGOS
VELHO BARCO – VIDA VELHA: NÁUFRAGOS – ONDE NOSSAS HISTÓRIAS SE CONFUNDEM
De passagem por Piacabuçu, a caminho da Foz do Rio São Francisco, parei para conversar com os Mestres Carpinteiros Navais – Artesanais do lugar. Artistas de saber milenar.
Após os enriquecedores e educativos diálogos, resolvi passear pelo lugar, mágico, surreal, rico e pobre.
Me chamaram especial atenção as velhas embarcações em diferentes estágios de conservação. Uma morta, soterrada, vestígios. Outra irrecuperável, em decomposição aguardando o seu melancólico fim. A terceira, em recuperação, remendada para ganhar sobrevida até também sucumbir ao senhor dos senhores: o tempo.
Fiz uma analogia da trajetória dos barcos com a vida de cada um de nós.
Já foram embarcações novas, belas, vistosas e poderosas. Com certeza cheias de histórias.
Lembrei-me da música “Cajueiro Velho”, que na voz de Alcione relaciona as fases da vida do autor a um Cajueiro, e eu, de muitas pessoas, seus barcos e as suas histórias.
Cajueiro velho vergado e sem folhas, sem frutos, sem flores sem vida, afinal. Eu que te vi, florido e viçoso com frutas tão doces que não tinha igual.
Não posso deixar de sentir uma tristeza, pois vejo que o tempo tornou-te assim, infelizmente também a certeza que ele fará o mesmo de mim.
Já tenho no rosto sinais de velhice, pois da meninice não tenho mais traços, começo a vergar como tu, cajueiro, fui teu companheiro dos primeiros passos.
Portanto, não tens diferença de mim, seguimos marchando em uma só direção, apenas me resta da vida o fim e da mocidade a recordação.
Cajueiro velho vergado e sem folhas, sem frutos, sem flores sem vida, afinal, Eu que te vi, florido e viçoso com frutos tão doces que não tinha igual. Não posso deixar de sentir uma tristeza, pois vejo que o tempo tornou-te assim, infelizmente também a certeza que ele fará o mesmo de mim.
Navegar é preciso; viver não é preciso.
Assim disse Fernando Pessoa.
transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça. Fernando Pessoa
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O barco, noite no céu tão bonito
Sorriso solto, perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O barco, o automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Navegar é preciso
Viver não é preciso
Navegar é preciso
Viver…
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