Editorial: Festa da Democracia!? – Por Antônio Carlos Aquino de Oliveira
Entendo que entra ano e sai ano e nada muda, a política continua ao Deus dará. As eleições são nada mais que uma peça dessa imensa engrenagem que todos dizem entender, mas ninguém explica.
Os fatos, os livros de história e a mídia mostram e comprovam a imensa contradição em um sistema que se diz democrático, mas a maioria da população não tem acesso aos serviços públicos básicos – não são cidadãos, apenas eleitores.
Como entender um sistema político democrático e sustentável sem partidos políticos programáticos e ideológicos? Pior, em sua maioria são cartórios de donos, legendas de aluguéis chegando ao extremo de serem acusados formalmente de organizações criminosas e quadrilhas pelas instituições de justiça.
É muito complicado chamar de democrático um regime presidencialista condenado à coalizões comprovadamente desprovidas de princípios republicanos, éticos e morais. Está registrado pela mídia e pelos autos dos processos.
Como considerar democrática uma estrutura com três poderes, teórica e constitucionalmente independente, mas que, na prática, tem explicitada diariamente as interferências entre as instituições, algumas fora de qualquer propósito e lógica democrática coerente com o pleno estado de direito.
Não é fácil explicar às crianças e aos jovens que são normais em nossa democracia as relações que se observam e se explicitam cotidianamente nos desvios de verbas públicas por pessoas eleitas. Eles não entendem que sejam democráticas as relações entre os setores públicos e privados em desfavor dos interesses da sociedade. As promessas e compromissos assumidos publicamente por candidatos nas campanhas tornam-se verdadeiros golpes de traição e prova de estelionato político nos exercícios de mandatos.
É preciso muito boa vontade para festejar as eleições como baluarte de um sistema democrático onde inexiste representatividade efetiva, real e prática.
Muito mais argumentos poderiam ser colocados no questionamento da nossa democracia, mas nesse momento o que mais interessa é a crença de muitos brasileiros na força do voto para mudar o país para melhor, na sua importância como caminho de mudanças.
Se as eleições são uma festa da democracia tenho profundas dúvidas. Mas é melhor que sejam renovação de esperança, do que funeral da fé nos homens públicos.
Antônio Carlos Aquino de Oliveira